UM MIMO

Fernando CamposBy Fernando Campos 1 ano agoNo Comments
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É uma coisinha assim,
pequenina e bela.
Guardando-se,
mais se revela.

Vamos a ela,
ânsia e desvelo;
em pensar retê-la
(libertamo-nos?),
nos damos de bom grado
— cedo ou tarde –
a seu jugo e vontade,
ao que nela é gozo
e gozando se arde.

É uma coisinha
por demais bela.

O simples vê-la
(por qualquer arte,
caminho, prêmio)
é delírio, transporte
e não há homem
(ou mulher, quem sabe?),
pobre ou rico,
britânico, asiático,
esquimó, mouro ou gaulês
— não importa –
que menos se espante,
pedra de gelo,
se assim se entende,
ou cavaleiro andante.

Ouro de tolo, seu nome,
tabu dos conselhos;
da morte o alfange,
flor, liberdade,
segredo de mina
conteúdo e continente
num só objeto
(abjeto nunca):
o vazio de dentro,
vitória sobre o nada;
a externa forma
— esquecer o fim,
o próprio,
num tempo sem tempo.

Sabido é,
mas pouco se diz:
estandarte se fez
dos que tentaram
a sorte.
É vida sobre a vida,
permanência,
derrota dos limites,
suplícios e flagelos.

Embora pequenina,
fugidia e bela,
tão logo se fez
suplantou a morte.

O que será ela?

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Fernando Campos
Sobre

 Fernando Campos

  (14 poemas no Verso Aberto)

Fernando Campos é poeta mineiro de Bom Jesus do Galho e reside na vizinha cidade de Caratinga, desde 1984. É formado em Letras pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Caratinga – FAFIC, onde também fez seu curso de pós-graduação em Língua Portuguesa. É casado, pai de dois filhos, e leciona na rede pública estadual, tendo trabalhado também em várias instituições de ensino particulares. É autor do livro “Insolvência – fragmentos de amor e morte e um esboço de despedida” (2015, Ed. Caratinga), entre outras obras ainda inéditas.