O repouso da poesia

Verso AbertoBy Verso Aberto 2 anos agoNo Comments
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A convidada do Verso Aberto de hoje é a escritora Ana Cecília Romeu. É formada em Publicidade e Propaganda e fez também  Arquitetura e Artes Plásticas. Publica crônicas em jornais do RS e em outros estados do Brasil. É autora do livro de crônicas  “Elvis economiza gasolina em cinco marchar” e também do livro infantil “Janela da Poesia”.

 

 

 

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– Sem as mãos tuas –

Sem as mãos tuas
No coração de vento
A dedilhar sopros de nada
Silêncio casual em noite de outono

Saliva, suada, sensível, sensata,

A saltitar de língua em boca
E dentes ferozes

Fugazes, fogosos, fáceis,

Palavras inertes e
certeza, a única:
contigo tudo eu posso sozinha

– Um véu e o farol –

Contam que a bela mulher
recebeu o não no altar
subiu degraus
repousou en el Mar del Plata,
desde a torre do farol
até o (a)mar.

Meu avô dizia
que quando o relógio
tocava meia-noite
a noiva aparecia
véu longo
e cintilante.

O que resta do amor?

Respondem:
o roubo da metade,
o fim da outra parte,
um véu
e o farol.

– Declive –

 

Resvalaste em mim,
naquela manhã,
como declive tão esperado
em canção,
cansaço,
esperado declive.

Por sob o sol,
admirei tuas esquinas
tão esperadas,
em declive,
descanso,
canção tão minha
que repousei.

 

 

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