No fundo do coração

Bispo FilhoBy Bispo 7 meses agoNo Comments
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aelaego

 

No fundo do coração humano,

onde dança sedutoramente  

toda sorte de escambos,

existe uma coleção de sapatos

que já foi utilizada em espetáculos.

É onde se guarda o fausto de toda gala.

Há peixes que vêm e vão sem que

o coração saiba exatamente quais permanecerão.

Há rancores alimentados num aquário.

Há pneus desgastados dos lugares visitados

pelo eu em bailes de mascarados.

Entretanto, não há grandes precipícios.

O que se encontra é um mágico enigmático

escondido na rasura dos orifícios,

que sabe plantar um coelho que servirá de esteio

a quem procure abrigo.

O horizonte é um campo branco de cálcio

onde se inscreve a sorte dos delírios performáticos

e é do fundo do coração e não da língua,

que vem a lâmina gasta de selecionar palavras.

Toca o aboio grave para a mais amarga,

considerada joio de ameaças.

Deve ser tangida e urgentemente rejeitada.

Quando chove elogios, os pingos borrifam o deserto.

Vem então um vendaval refrescante

e, no mesmo instante, inflado de felicidade, 

suspira realizado o ego.

 

 

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Bispo Filho

Bispo Filho é poeta de Governador Valadares, Minas Gerais, onde fez parte do Movimento Poético e ajudou a editar o folhetim “Varal” e o jornal “Poetarte”. Escreveu os livros “Colosso Ciclone” e “Meninos de São Raimundo”, com Roberto Lima. É professor, músico e artista plástico. Edita o blog “Fumegação”.