NASCEDOURO

Nathan SouzaBy Nathan Souza 2 anos agoNo Comments
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O silêncio

não é uma invenção

de traficante

ou de poeta.

 

Também não se mostra

como possibilidade

plena de vivência,

já que a consciência

toca manadas

de rumores

em marchas

insones.

 

A voz não cessa

enquanto há

memória

(mesmo surda,

mesmo muda)

e o silêncio

não nasce

de um útero

sem signo.

 

Portanto,

é uma aspiração

do nada

após

o existido,

 

e que

só conseguiria

plenitude

se ele

(o silêncio)

assumisse

o inexistente

na forma

e no nome.

 

Quem inventou o silêncio

assim o fez

(suponho eu)

diante da face

sedutora da recusa,

e conheceu

(assim como eu)

a difícil arte

de manusear

o anseio por significação.

 

Até ele

(o silêncio)

nasceu

da relação

com o outro,

já que

de outro modo,

não nos serviria

 

nem para calar.

 

 

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  Nathan Souza
Nathan Souza

Nathan Souza é poeta piauiense e esteve entre finalistas ao Prêmio Jabuti de 2015, além de ter recebido vários prêmios e indicações. Já publicou seis livros: “O Percurso das Horas” (2012), “No Limiar do Absurdo” (2013), “Sobre a Transcendência do Silêncio” (2014), “Um Esboço de Nudez” (2014), “Mosteiros” (2015), “Nenhum Aceno Será Esquecido” (2015) e “Dois Olhos Sobre a Louça Branca” (2016).