Mística

Bispo FilhoBy Bispo 3 meses agoNo Comments
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Com esforço até o pescoço, posso ver

a casa ampla onde morava a santa.

Por fora é pequena, mas, por dentro, multi-iluminada.CABALA7

.

Que me valham as palavras,

pois palavras não valem uma palha

para o amor ardente de santa Tereza D’Ávila.

A realidade, dita concreta, é, no fundo, abstrata

e o símbolo é precário para descrever

o acesso ao que não se mostra finito.

Do universo definido, nada se compara ao absoluto,

ao não figurável, ao arqui-distante e não físico.

.

E é na voz dos mistérios que me ponho místico,

neste feixe de emanações para um Jardim Absoluto,

pergunto aos mistérios por algum furo.

Não por uma porta secreta e subterrânea,

mas, por uma abertura momentânea

que me permita a chave de um minuto.

O Tempo é claro e escuro.

Suas cortinas densas de realidade aparente

não revelam o ínfimo e o último.

Assim, a ilusão de que tudo é imediato

é o que chamamos de realidade.

A impressão de que tudo é matéria

é o que vemos pela janela.

E o fim das coisas é um fim solitário,

depositado num relicário enquanto memória.

Mas, o caminho das escórias traça o trajeto das esmeraldas.

O movimento do cometa e de sua calda

risca uma jornada no céu.

Assim, arde um fogo abrasador por trás dos véus.

Fogo amoroso e divino de um cenário lindo que há de ser avistado.

Por isso, as palavras precárias tateiam o impossível.

São elas o instrumento reconhecível

de um tesouro não mostrado.

 

 

 

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Bispo Filho

Bispo Filho é poeta de Governador Valadares, Minas Gerais, onde fez parte do Movimento Poético e ajudou a editar o folhetim “Varal” e o jornal “Poetarte”. Escreveu os livros “Colosso Ciclone” e “Meninos de São Raimundo”, com Roberto Lima. É professor, músico e artista plástico. Edita o blog “Fumegação”.