“menininhos malcriados”:

Wilson NaniniBy Wilson 4 anos agoNo Comments
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malvado

O gozo – neurótico como um boi depois da castração, pianinho como um cão depois da surra.

 

 

 

telemarketing

moça se soubesses

que me masturbo enquanto te tolero

 

experimental

pássaros e borboletas já são clichês

é tempo de acasalar

águas-vivas libélulas e ornitorrincos

 

vidas – sedentas – fossilizadas

fósseis – nostálgicos – retrógrados

retrocessos – permanentes – progressivos

 

meu ânus virgem/minha fé promíscua

 

eu deveria te comover mas

meu diabo ainda é um ovo de anjo encruado

esta lua é um antiácido

e este conhaque falsificado

 

último espécime

lobo-guará no radiador

ararinha-azul no para-brisa

meu mustang meia cinco

 

a solidão é um inferno particular

o inferno é uma solidão compartilhada

 

as chuvas que as nuvens prenhes prometem

e abortam longe da sede (da gente)

 

ainda hei de inventar

um relógio anti-horário

 

uma febre tão intensa que acenda uma lâmpada

 

poema mudo

desde que os silêncios sejam bem metrificados

 

despaisagens

os copos de plástico na praia

o leite azedando na pia

a mosca encravada no resto de café na xícara

as mãos macias do obstetra abortífero

 

barroco

teus olhos me televisionam o mar

meu olhar te lamparina

na seminoite

o odor morno

de penumbra despida

 

-livre

servir napalm no jantar

agir como uma

planta que não floresce um

panda que não procria um

anjo da guarda

que deu o fora

antes da queda-

 

puro como um cântico depois do gozo

alegre como um gozo depois de outro

pleno como cantar e gozar a um só tempo

 

neurótico como um boi depois da castração

pianinho como um cão depois da surra

 

 

 

 

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Wilson Nanini

Wilson Nanini é poeta de Poços de Caldas, Minas Gerais. Mora em Botelhos, Sul de Minas. É autor do livro “Alcateia” e participou da Poemantologia da Revista “Arraiá Pajeú BR”. Edita também o blog “Quebrantos, relances e abismos ao relento”.