Maria Mári, três momentos

Verso AbertoBy Verso Aberto 3 anos agoNo Comments
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A poeta Maria Mári visita o Verso Aberto hoje e muito nos orgulha. Ela é autora do livro Versos em Aberto, portanto, é encontro de família. Escreveu ainda Palavras Soltas, Antomania e Busca Íntima. Também são de sua autoria os livros infantis: Brincando de Rimar (em parceria), De Volta ao Começo (em parceria) e A Galinha Fujona, no prelo. Mári lança atualmente o livro Lentes do Poeta, sobre Paulinho Pedra Azul.  Trata-se de uma homenagem à poesia com o suporte na obra do artista como letrista. São 80 canções apresentadas, onde a autora vai grifando os traços do poeta. O livro tem a participação especial do Paulinho, contra capa de Toninho Horta, comentários de Tadeu Franco, Rubinho Do Vale, Célio Balona e outros.

 

 

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SOBRE MIM

 

Eu dizia pra lua

estórias que eu mesma inventava

com gosto de bombons e balas.

E ela me ouvia bem do alto

do seu móbile de prata.

 

Eu cantava pra lua

canções de tempos mágicos

com gosto de eternidade.

E ela me acompanhava

do seu palco secular.

 

Eu dançava pra lua

passos alados de danças distantes

com gosto de aventuras sonhadas.

E ela me via e ritmava

do seu coro estelar.

 

Eu mostrava pra lua

desenhos no espaço noturno

com gosto de esperança amanhecida.

E ela me olhava com ternura

do seu céu absoluto.

 

Eu ainda acredito na lua

e ainda a ela me exponho

com gosto de lilás de crepúsculo.

E ela, paciente e mestra,

do seu trono, ainda me ouve.

 

 

A POESIA

 

O verso

o ver

o só

o ver só 

 

 

NÃO HÁ TEMPO

 

Não há tempo para narrativas,

pois o pensamento é veloz

como a luz. E a língua

é mero instrumento de carne

que se atrapalha com o movimento

em ritmo rápido

e há sede de comunicar.

 

Não há tempo para adornar

palavras vãs,

pois a essência é a alma

com a beleza mais pura,

expondo as entranhas

por onde se sintetizam as palavras.

 

Não há tempo para longos textos

que vão arrastando as frases,

alongando as esperas, as expectativas

que fazem ranger os feixes

de nervos em ânsia.

 

Só há o coração pulsando a sede

e o sintetizar das palavras

para estancá-la.

 

 

 

 

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