incômodo, um erro final

Lucas ArantesBy Lucas Arantes 5 meses agoNo Comments
Home  /  Lucas Arantes  /  incômodo, um erro final
b

a

A vida era para ser notas musicais mas acabou sendo a peste o erro eterno o erro do não sossego não há repouso para os malditos

ocupados com seus trabalhos da mídia do que desejam pensam que o que importa está além pensam que conseguem vencer o gelo

nos perdemos enquanto humanos nos vendemos sem pátria para o teu comércio cresscemos em gente em cima de gente uma tonelada de corpos pra todo canto

Os vencidos não vacinam a si próprios eles querem a chaga, a dor, a morte o erro comum o mesmo erro todos os dias ele te prende naquele espaço

Os erros impróprios os erros sem erro o jogo se alterna o comercial vende os erros se completam em mais suberros uma sociedade de erros perdida no mar de Laio

Vê então quando até podia mas enfrenta de frente a distante presença cai pelos guardanapos da mesa busca os abrigos ouvindo silêncios Há quem dirige a palavra à quem importa a morta atrás da porta os ratos querendo as pernas as madames arrancando as bolsas dirigindo as suas carteiras professor de aborto catástrofe no meio fio

Há quem comanda um morto na própria barriga A quem, de madrugada, caminha errante chegando em casa onde fica o que é sua casa itinerária? perguntas, promessas, a vida responde

traga do abismo um latido seguido por outro a resposta da moto com o jornal em branco as meninas de saia pulando o jardim

quantos estudos a cidade acorda? a porta aberta as outras linguagens – vivídos símbolos o que querem todos fazendo aqui? seguindo os mesmos caminhos se vendo cumprimentando-se seguem todos os tolos dizendo a sobra o pau da pista segue prumo no arrolho de Brasília Minha cidade xinga, me xinga, excita assiste as manchetes dos jornais telenovelas e prende a respiração sem olhar onde pisa

Meu blues, meu jazz, meu tango falso meus vinhos bebidos excretados meu pus sem chance com os novos remédios meu tempo e espaço nada relativos vida estranha corpo esquisito

Vai então seguir a cartilha, ouvir os bilhetes, as pistas, as miras vai perder seu sono ouvindo vitrola, passado de gane em gane – o gene da descoberta zerando histórias em livros além da morte nunca abdicamos de nada

aquele poeta que dizia coisas dessa forma o poeta escritor vai tentar dizer eles aguentam vai todos acham bonito riem depois incorporam aqueles que vieram foram eles que estão indo

cabe um câncer, um incômodo, um erro final os erros sempre erram é quando falham que se erguem então se vê o topo de uma montanha com neblina escura e se diz: faz tempo que são só nós dois talvez algo lhe escape ao pensar isso mas um dia não igual a ontem ficaremos presos nos dias, ficaremos presos nos esportes de domingo, nas férias, nos feriados, no entorpecimento na arena de onde se encontram todos os perdidos, dos votos comprados dos votos vendidos, das assembléias legislativas e judiciárias, do Panóptico do próprio corpo, das prisões sem celas, dos hospícios sem trela, apenas isso os sinos das igrejas sua culpa a turbina que move o mundo se mova com o espírito que engole o mundo

 

Category:
  Lucas Arantes
Lucas Arantes
Sobre

 Lucas Arantes

  (1 poemas no Verso Aberto)