Guerra da Minha Rua

Verso AbertoBy Verso Aberto 2 anos agoNo Comments
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Pela segunda vez o Verso Aberto recebe o jovem escritor Victhor Ruas Fabiano, desta vez com dois trechos do livro “Guerra da Minha Rua”, que traz uma coletânea de contos, poesias e crônicas que exploram o imaginário social. Abaixo vai o link do projeto dele, que arrecada fundos para a publicação. Apoiar é importante porque Victhor, embora bem moço, já tem uma boa trajetória. Começou a escrever aos 13 anos e é autor de  diversos livros, entre eles dois já publicados: O Lavrador e o Plebeu (2012 – Editora Multifoco) e O Epitáfio (2013 – O Epitáfio). Desejamos boa sorte!

https://www.catarse.me/guerradaminharua

 

 

 

“A grande história da humanidade nos conta, assim como o caro leitor deve apreciar, que as histórias são contadas pelos homens que a possuem. Nenhuma história é dita pela verdade intrínseca, e sim pelos seus verdadeiros donos. Em tempos de guerra, Madame Mórra fora combatente para alguns, diligente para outros e criminosa aos mais quietos. Mas, para quem importa as versões mais realistas? De um ato de puro gosto facínora, Madame Mórra podera tornar-se nome de rua e até mesmo exemplo de civilidade, pois criando-se a lenda da desordem, qualquer ação desumana é aplaudida por uma camada mais alegre… sabe aquela camada que sorri sem ver o que produz? Madame Mórra fora por muito tempo a4_A Rua mais serva das figuras. Sabia que para um desgosto gratuito e um desgosto com preço, valia muito mais o desgosto comprado. Inaugurara-se uma rua ali aos pés de anos de escombros, de casarões e vilas ricas, de posses e pessoas sabidas… A Rua Madame Mórra tornara-se o berço do que chamam de civilização, aquela coisa toda embebecida de ego. É civilização o direito de matar, mas não é civilização o direito de viver? Para alguns muitas armas e para outros muita fome? (…)” trecho do conto Rua Madade Mórra. 

(…) Neste Natal, Madame Mórra relembra a década de ouro: as revistas estampavam o sorriso da tão prestigiada Diplomata, filha do Conde; bela e saudável aos olhos da monumental mídia. Neste Natal, Madame Mórra recebe a notícia de que o poder público, que já não mais lhe reconhece como coisa demasiada nenhuma, deseja habitar algumas residências vagas de sua rua com moradores antes desalojados. A rua, reta e plana, estreita e escurecida, poucas vezes vê luz, apenas na calada da noite quanto alguma tevê velha está ligada. Madame Mórra, de tão velha, já não julga estar vendo luz ou não, mas sabe quando um calo desafia seus pés. (…)” trecho do conto Guerra da Minha Rua.”

 

 

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