EU NÃO SABERIA PONDERAR NAS TUAS MÃOS

Nathan SouzaBy Nathan Souza 1 ano agoNo Comments
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eu não saberia ponderar

nas tuas mãos.

 

no entanto

formei no meu íntimo

voo de pássaro desvairado

um âmago remoto

e vivo, que me agarra

e me veste feito

pele e pena.

 

estou insolúvel

como a singular realidade

que açoita o vão de meus

braços.

 

esta mesma realidade

que se perde em tudo o que

teus olhos despejam:

               as árvores lagrimando

               a implosão do vento dentro da saia

               os pés distraídos na bacia de água fria.

 

imobilizei-me tenso e leve

(um rio que arrasta a pedra-bruta

e se alimenta desta selvageria)

 

e só agora vejo

que todas as vertigens

acomodam-se como

um naufrágio.

ESCAPULÁRIO

 

Proteger a frente e o verso

entre o torço e os lapsos da fé.

 

Para isto fizeram-no de tecido,

ouro, prata, objeto da moda.

 

Quanto à alma, sua cabeça

continua lá: entre um polo e outro.

 

 

 

 

 

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  Nathan Souza
Nathan Souza

Nathan Souza é poeta piauiense e esteve entre finalistas ao Prêmio Jabuti de 2015, além de ter recebido vários prêmios e indicações. Já publicou seis livros: “O Percurso das Horas” (2012), “No Limiar do Absurdo” (2013), “Sobre a Transcendência do Silêncio” (2014), “Um Esboço de Nudez” (2014), “Mosteiros” (2015), “Nenhum Aceno Será Esquecido” (2015) e “Dois Olhos Sobre a Louça Branca” (2016).