DESPEDIDA

Verso AbertoBy Verso Aberto 8 meses agoNo Comments
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 Senti o perfume da saudade nos teus olhos.

Pressenti que não passaríamos de um passado

desprovido de peso,

nos teus beijos empoeirados,

nos teus abraços em branco e preto.

 

No lençol,

no ato consumado,

eu não era mais do que um retrato pálido,

um fato

avesso a argumentos.

 

Tu sabias que eu sabia.

Mas sempre preferiste os palcos à ciência.

Eu também.

Que bem nos fez esse fingimento mútuo:

o que é o amor, senão uma farsa partilhada?

 

O sol subiu e afundou meus minutos:

era tempo, tinhas que ir,

fazer-te completa como uma planta

ou um libélula.

 

Saíste sem mala

sem palavra,

sem sorriso,

deixando-me aos vãos da vida.

 

Desde aquela noite,

Evito pensar em ti.

Talvez,

Pra não gastar as lembranças

que tenho de mim.

 

Matheus Arcaro

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