ao relento e guardado

Jozailto LimaBy Jozailto Lima 1 ano agoNo Comments
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era um templo. uma catedral.

um totem a ser construído

para a minha devoção e abrigo.

 

fui à obra. deuses consorciei comigo.

cavei pedras na memória, tracejei

intenções no desenho. plantei, erigi.

 

ao fim de tudo, sem remorso, concluí:

nada me serve. é de mim ter o deserto

por diáspora; meu real abrigo e refúgio.

 

e desde sempre comigo trago monumentos

e monumentos empilhados. no bolso, na alma.

nada porém útil, nem necessário. tudo

que em mim faz sombra e amparo, é sobra.

 

porque é de mim estar no relento, mas guardado.

 

 

 

 

 

 

 

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  Jozailto Lima
Jozailto Lima

Jozailto Lima é baiano radicado em Aracaju, Sergipe. Lançou pela Editora Patuá o livro de poemas “Ainda os lobos” (2016), Também são na sua lavra “A Flor de Bronze e Outros Poemas de Mediamor” (1986), “Plenespanto” (1996), “Retrato Diverso” (2004), e “Viagem na Argila” (2012). Os três primeiros, premiados na Bahia e em Sergipe.